Um menino norte-americano de dez anos defendia-se de um ataque de vespas quando caiu sobre um espeto de carne usado em churrascos, que lhe perfurou o crânio e ficou cravado até a uma profundidade de 15 centímetros. Os médicos dizem que o espeto ficou a centímetros de distância do olho, do cérebro, da medula espinhal e dos vasos sanguíneos e mostram-se surpreendidos por a criança ter sobrevivido sem danos sérios.

De acordo com a edição online do jornal The Kansas City Star, o incidente aconteceu no sábado, dia 8 de setembro, quando Xavier Cunningham brincava na casa na árvore que se encontra no quintal da casa onde mora em Harrisonville, no Estado do Missouri.

De repente, a criança começou a ser atacada por um enxame de vespas e acabou por se desequilibrar e cair da casa na árvore. Xavier Cunningham aterrou diretamente sobre um espeto quadrado de metal de 30 centímetros de comprimento, que lhe atingiu o rosto e penetrou até 15 centímetros até à parte de trás do crânio.

A mãe de Xavier, Gabrielle Miller, contou ao The Kansas City Star que ouviu os gritos do filho e desceu a correr as escadas de casa quando o viu com aquela "coisa a sair-lhe da cabeça" e a dizer: “Estou a morrer, mãe”.

O rapaz foi transportado para o hospital local e depois transferido duas vezes: primeiro, para o Centro Médico Infantil de Kansas City e a seguir para o hospital da Universidade do Kansas, onde foi submetido a uma cirurgia no domingo.

Por se tratar de um objeto quadrado e com as bordas afiadas, ao invés de ser redondo, o espeto dificultou o trabalho dos cirurgiões quando foi removido: torções ou movimentos bruscos do objeto metálico poderiam perfurar estruturas internas sensíveis e causar a morte do paciente, mas os médicos conseguiram realizar a operação com sucesso total.

Embora o ferimento fosse potencialmente mortal, o espeto ficou cravado num local onde surpreendentemente não atingiu olhos, cérebro, medula espinhal ou qualquer vaso sanguíneo de relevo. Na verdade, os exames médicos revelaram até que não havia sequer sangramento ativo.

Koji Ebersole, o neurologista que tratou Xavier Cunningham, afirmou publicamente que casos como estes acontecem “uma vez num milhão”. O diretor do Departamento de Neurocirurgias Endovasculares do Sistema de Saúde da Universidade do Kansas disse mesmo que a situação até ser descrita como “milagrosa”.

Ebersole revelou ainda que nunca tinha visto nenhum objeto cravado a tamanha profundidade em que a vítima pudesse sobreviver e "muito menos num caso em que nós [equipa médica] achamos que a recuperação será quase completa, se não for até completa”.