Duas personalidades italianas iniciaram uma campanha no país pela defesa de um salário para as donas de casa, que pode ser pago pelo governo ou pelos próprios maridos.

A ideia é dar rendimentos às mulheres que não têm outro emprego para que estas possam ser financeiramente independentes dos maridos e, assim, evitar mais casos de violência doméstica.

«Quanto mais se valorizam as mulheres, mais se reduz a discriminação», afirmou à BBC Giulia Bongiorno, ex-deputada e advogada italiana, um dos rostos desta campanha, juntamente com a apresentadora de televisão Michelle Hunziker.

As duas fundaram a associação «Doppia Defesa» («Dupla Defesa»), que combate a violência doméstica, e começaram a ter conhecimento de vários casos de falta de denúncia por parte das mulheres devido à dependência económica dos homens.

A proposta de um salário mínimo não especificado para as donas de casa admite que este possa ser pago pelos maridos com rendimentos mais altos ou pelo governo italiano.

«É claro que vão ridicularizar a proposta e vão lembrar que o país está em crise, mas nós devemos perguntar-nos: afinal, quais são as reais prioridades do governo?», acrescentou Giulia Bongiorno.

Em Itália, há cerca de cinco milhões de mulheres que ficam em casa e esta proposta está a ser criticada por quem a entende como um incentivo ao tradicional papel de dona de casa. «O que nós precisamos realmente são investimentos em creches e fundos para mulheres empreendedoras fundarem os seus próprios negócios», escreveu a jornalista e blogueira italiana Giulia Innocenzi.

O ano passado, 177 mulheres foram assassinadas em Itália, sendo que, em quase 80% dos casos, o homicida era o atual ou ex-companheiro da vítima.