Liu Lingchao, um cidadão chinês de 39 anos, é conhecido como o «Homem Caracol» por carregar às costas uma casa portátil. Liu percorre centenas de quilómetros a pé, para recolher garrafas de plástico e outros materiais que vende para sobreviver. Reutiliza também alguns na sua casa portátil.
 
Liu, natural da cidade de Liuzhou, no sul da China, arranjou uma forma engenhosa de ganhar a vida e de fazer um percurso de três dias livre de despesas. O chinês caminha até à cidade mais próxima para recolher lixo e vendê-lo para reciclagem, levando uma cabana móvel às costas para não ter de pagar alojamento.
 

«A minha vida começou a desmoronar-se há seis anos atrás quando perdi o emprego depois de o meu pai ter morrido e o meu casamento ter acabado. Percebi que precisava realmente de fazer algo para sair da minha depressão. A única coisa que parecia ser possível era a reciclagem de lixo, mas o melhor lugar para fazer isso é na cidade, só que se se pagar o alojamento não sobra muito», explicou Liu ao Daily Mail.

 

O chinês gosta da alcunha que lhe foi dada pelos locais, «homem caracol», acostumados a vê-lo caminhar pelas ruas com a «casa» aos ombros.
 

«Tive a ideia de fazer uma casa improvisada que desse para movimentar facilmente. Coloco-a nas costas e caminho até à cidade, onde recolho lixo e vendo-o. Assim que tiver recolhido o suficiente caminho de regresso a casa. Assim não pago nada por alojamento nem por transporte», contou Liu.

 
A casa portátil, que Lingchao utiliza para dormir durante o percurso e enquanto está na cidade, é feita com uma estrutura de estacas de bambu, coberta com materiais que Liu recolhe e recicla, incluindo alguns lençóis e panos impermeáveis. O «homem caracol» diz que a casa evolui em cada viagem.
 

«Cobria-a de flores de plástico e arrumei-a para, quando parar num bairro elegante, não parecer deslocada. Aliás, agora até faço algum dinheiro com pessoas que me pagam para tirarem fotografias. Eu digo-lhes que é a minha ‘penthouse’, pode ser pequena, mas é a minha casa e funciona», contou Liu.

 
Este é o sexto ano que o chinês anda com a «casa» às costas. A cabana, que de momento está decorada com fitas coloridas e flores de plástico, é relativamente mais bonita e mais estável do que os anos anteriores.