Deram o nó, tudo indica que continuam felizes, têm duas gémeas e descobriram agora que estiveram no mesmo local, à mesma hora, quando ambos eram adolescentes: na cidade chinesa de Qingdao, a mais de 1.600 quilómetros de distância de Chengdu, onde vivem, uma ancestral cidade do sudoeste da China.

Como hoje é hábito dizer-se, a história do casal tornou-se viral. Mais ainda porque Ye e Xue são chineses e apenas dois dos 1,379 mil milhões que compõem a população do mais povoado país do mundo. E ainda porque vivem em Chengdu, com 4,6 milhões de habitantes, e estiveram próximos um do outro, sem se conhecerem, há 18 anos, em Qingdao, uma mais pequena cidade, onde moram apenas "apenas" 2,4 milhões de almas.

Para agigantar a dimensão da coincidência, pode-se acrescentar que a distância entre Chengdu e Qingdao, cidade na costa leste da China, banhada pelo Mar Amarelo, onde estiveram juntos sem o saberem, é quase a mesma que de Lisboa a Paris. Mais curioso, é que não estiveram juntos e foram fotografados no meio de uma multidão, mas antes junto ao monumento que na praça 4 de Maio, que assinala a revolta de estudantes chineses após as negociações do Tratado de Versalhes, em 1919, que selou o fim da I Guerra Mundial.

Fotos cruzadas

História mundial à parte, as histórias de Ye e Xue foram registadas em fotos de ambos, em Qingdao.

Ela, Xue, estava na cidade costeira com a mãe, que tinha sido operada. Tirou uma fotografia junto ao monumento e lá por trás, um rapaz foi apanhado no enquadramento: era Ye, que viria conhecer onze anos depois e com está hoje casada.

Já ele, Ye, estava em Qingdao, a aproveitar uma inscrição da sua mãe numa excursão. Como a senhora, à última hora, devido a uma apendicite teve de desistir, o filho aproveitou. Também tirou uma foto junto ao monumento: no mesmo momento em que Xue, hoje a sua mulher, era fotografada.

Mas, como tudo, o melhor é ver as imagens, como fez a cadeia informativa Channel NewsAsia, um dos meios de comunicação que conta a história de uma daquelas coincidências, que nem combinada parece ser possível.

Olhos em bico

Ye ficou de cara à banda e olhos em bico, quando a mulher Xue descobriu e lhe mostrou uma sua fotografia de adolescente, tirada no ano 2000, em Qingdao. Porque percebeu que ele também lá estava.

Quando vi a foto fiquei surpreendido e senti arrepios por todo o corpo", contou Ye, que correu a apanhar a sua fotografia tirada também em Qingdao, no mesmo local, no mesmo momento.

Como o destino serve muitas vezes para explicar o que dá mais jeito, o casal acredita que a coincidência é uma prova de que estavam feitos um para o outro. O que no meio de um país com quase um quinto da população mundial, terá o que se lhe diga.

Serve, pelo menos, para cimentar uma promessa feita pelo casal, agora que descobriu a coincidência, ocorrida há 18 anos, onze antes de se terem conhecido e começado a namorar: "Parece que Qingdao é certamente uma cidade especial. Quando as crianças forem mais velhas, voltaremos lá e iremos tirar outra fotografia", jura ele. Ye, de se nome.