Um homem conseguiu faltar ao trabalho durante seis anos, entre 2004 e 2010, sem que ninguém soubesse. No entanto, o engenheiro, de 69 anos, continuou a receber os 37 mil euros de ordenado anual.


Segundo conta o El Mundo, Joaquim Garcia só foi descoberto quando a cidade de Cádiz lhe tentou oferecer uma placa pelos 20 anos de serviço e não encontrou o engenheiro na estação de águas da empresa Águas de Cádis onde estava destacado. 


A história tem início em 1990, quando Joaquim Garcia, cunhado do candidato do PSOE na Junta de Cádiz, Fermín Moral, foi contratado como diretor técnico de Meio Ambiente, posto que exerceu até 1996.


Foi posteriormente enviado para as Águas de Cádiz “para que dali se encarregasse de supervisionar as obras de La Martona” e ali ficou.


“Até que um dia [mais de uma década depois] me lembrei: «Onde estará aquele homem? Continuará ali? Ter-se-á reformado? Faleceu?» Como continuava ter folha de pagamento, comecei a investigar. Telefonei às Águas de Cádiz e disseram-me que ali não sabia de nada, que pensavam que ele tinha regressado à autarquia. Telefonei-lhe e disse-me que estava a tratar de assuntos pessoais e pedi que me viesse ver. «O que faz? O que fez ontem? E no mês anterior?» Não me soube responder”, contou Jorge Blas Fernández, vice-presidente da autarquia de Cádiz entre 1995 e 2015, atual senador do PP.


Depois de ter apurado o que tinha acontecido, Jorge Blas Fernández apresentou queixa contra Joaquim Garcia e o funcionário tem agora de pagar uma indemnização de 26.920,93 euros, o equivalente a um ano de salário líquido, máximo permitido por lei.


No entanto, o “funcionário fantasma” nega as acusações e, segundo fontes próximas, considera-se vítima de bullying por razões políticas, que o colocaram num local sem condições de trabalho, que se apresentou frequentemente para prestar serviço e que o juiz não o deixou explicar-se.