Um norte-americano conseguiu recuperar um iPhone roubado há cerca de um ano e acabou por se tornar amigo do novo «dono» do aparelho, um chinês, que o convidou para visitar a sua cidade. 

Matt Stopera, que escreve para o site internacional BuzzFeed, esteve 10 dias em Meizhou, no sul da China, onde se tornou uma espécie de celebridade, dada a natureza invulgar da sua história.
 
Tudo começou num bar em Nova Iorque em fevereiro do ano passado, quando o iPhone de Matt foi roubado da mesa onde estava com os amigos. Cerca de um ano depois, fotos do novo «dono» começam a surgir no novo aparelho do norte-americano através do sistema de armazenamento «cloud», que ainda tinha o login de Matt ativo.
 
As fotografias de um chinês rodeado de laranjeiras intrigaram Stopera, que decide publicar um artigo no «BuzzFeed» intitulado «Quem é este homem e por que estão as fotos dele no meu iPhone?».
 
O texto terá sido partilhado no «Weibo», uma rede social chinesa parecida com o «Twitter», e em poucas horas o assunto tornou-se o mais popular do site. Algum tempo depois alguém encontrou o homem das fotografias e Matt decidiu começar a trocar mensagens com ele.
 
O homem das fotografias era Li Hongiun, um chinês de Meizhou, que ficaria conhecido como «Brother Orange», «irmão laranja», em tradução livre, devido às laranjeiras vistas de fundo nas fotos.

Matt e o chinês trocaram mensagens durante algumas semanas e Li Hongiun acabou por convidar o norte-americano para uma visita ao país. Stopera aceitou e partiu para a China, onde passou 10 dias.

No seu texto, o norte-americano descreve a experiência e como acabou por se tornar amigo de Li Hongiun. Em Meizhou a história do iPhone é um dos assuntos do momento e Matt foi recebido no aeroporto por dezenas de curiosos, fotógrafos, jornalistas e, claro, o próprio Li.

«O nosso encontro foi tão rápido e louco que mal me lembro do que aconteceu. É assustador ser bombardeado por câmaras! Finalmente percebi como se sente a Kim [Kardashian] no LAX (aeroporto de los Angeles)», escreveu.

 
Com a ajuda de um tradutor, Matt conversou com Li e recebeu o seu iPhone de volta. Só aí descobriu como o telemóvel tinha ido parar ao outro lado do mundo:

Desde Nova Iorque, o iPhone foi levado para Hong Kong, e logo depois para Shenzhen, na China, onde está o segundo maior mercado de artigos em segunda mão do mundo. Foi aí que um primo de Li comprou o telemóvel que depois lhe ofereceu.
 
Durante os 10 dias que esteve na China, Matt ficou em casa do novo amigo, conheceu a sua família e foi levado a conhecer vários pontos turísticos da região. Sempre, claro, acompanhados pelos media chineses, e pelos «fãs» que os seguiam para todo o lado.

No último dia, Li até decidiu acompanhar o norte-americano até Pequim, onde Matt apanhou um avião de regresso para Nova Iorque.

«Quem imaginaria que um iPhone roubado levaria a esta história louca, e a uma amizade intercultural? Não consigo para de dizer: Isto é de doidos».