Um programa de televisão australiano propõe aos participantes o contacto direto com a guerra na Síria e com a luta armada entre o Estado Islâmico e as milícias curdas. Trata-se do reality show “Go Back to Where You Came From” (“Volta para o lugar de onde partiste”, numa tradução livre do Inglês), da estação pública de televisão SBS, e tem como objetivo consciencializar os espetadores para as duras condições em que viveram os milhares de pessoas que fugiram do conflito sírio e pediram asilo na Austrália.
 
De acordo com o El País, a SBS colocou os concorrentes e a equipa de gravação numa aldeia do norte da Síria. O programa estreou esta terça-feira.
 
Num dos vídeos promocionais que tem estado no ar nos últimos dias, mostrava-se como a equipa entrou na aldeia, sob proteção das milícias curdas. O vídeo promocional mostra os intervenientes equipados com coletes anti balas e é possível ver um guia que lhes grita: “Mantenham a cabeça baixa”, enquanto avança agachado.
 

“Não queremos que saibam que estamos aqui!”, exclama, antes do final do vídeo.

 
Ainda de acordo com o El País, a SBS emitiu um comunicado onde confirma que os participantes estão a menos de um quilómetro de um posto controlado pelo Estado Islâmico, mas sublinhou que a segurança da equipa de filmagens e dos participantes está assegurada.

Alguns dos concorrentes do programa. Imagem disponibilizada pela SBS 
 
A estação de televisão confirma ainda que houve uma situação em que a equipa esteve debaixo de fogo. “Não estava planeado, mas não era inesperado, dado que estamos numa zona de guerra. A equipa de segurança estava preparada para um problema do género e apressou-se a conduzir os participantes a um lugar seguro”, esclareceu a SBS.
 
A cadeia de televisão revelou ainda que pelo menos um membro da equipa foi recusado na rodagem no terreno, por questões de segurança.
 
O programa estreia esta semana, mas já foi gravado em outubro do ano passado. A estreia coincide com uma altura em que o Governo australiano admite que dezenas de jovens se juntaram ao Estado Islâmico e estuda a hipótese de aprovar uma lei que retire a nacionalidade a cidadãos que se unam a grupos terroristas.