Um banho em água radioativa pode não parecer, à primeira vista, uma ideia muito sensata, mas quem defenda que esta prática traz mais benefícios do que malefícios para a saúde. E por isso, há quem pague, e muito, para usufruir deste tratamento alternativo. O banho em água radioativa é uma das maiores atrações de Jachymov, uma cidade da República Checa, que foi o cenário de uma reportagem da BBC. 

A colinas da cidade de Jachymov estão repletas de urânio e de minas que foram muito exploradas durante a Segunda Guerra Mundial, mas que, entretanto, foram desativadas.

É nesta cidade checa que fica o Radium Palace, um resort e spa de luxo, cujo edifício data de 1912. Neste hotel, hóspedes de todas as nacionalidades procuram algo mais do que descanso: buscam o alívio para uma série de dores, para distúrbios neurológicos ou outras doenças como a artrite. E ali espera-os um tratamento diferente e dispendioso: um banho em águas com radão, um gás radioativo que é um subproduto do urânio.  

Vacçav Pucelik é um dos doentes que frequenta o resort há 30 anos consecutivos. Pucelik sofre de uma doença inflamatória crónica que afeta as articulações axiais. À BBC contou  que os benefícios deste tratamento superam em muito os malefícios.

Nada funcionava para a minha dor. Recomendaram-me os banhos de radão e eu agora venho aqui. Mas só posso fazer este tratamento uma vez por ano porque é radioativo", sublinhou

Os médicos deste resort garantiram à BBC que um banho em água radioativa traz muitos benefícios para a saúde.

Existem dois benefícios clínicos: o primeiro é o efeito antiinflamatório, pois sabemos que reduz a inflamação, o segundo é um efeito analgésico, podendo funcionar como um analgésico semelhante à morfina, mas de maior duração”, explicou Jindricj Masik, o chefe da equipa médica do Radium Palace.

Há claro alguns cuidados que são tidos em conta porque, afinal, estamos a falar de água radioativa. Os especialistas explicaram que há limites diferentes de radiação e que são usadas dosagens pequenas.

Não há limites para os clientes e podemos usar o que queremos, mas, na verdade, usamos uma dosagem que represente um risco-benefício adequado pois não queremos causar problemas, queremos é ajudar. Usamos dosagens muito pequenas", vincou Masik.