Martin Pistorius acordou de um coma de 12 anos e afirma saber tudo o que se passava ao seu redor. O sul-africano, que agora usa um computador para falar, garante que, apesar de não se conseguir mover ou fazer qualquer tipo de contacto com a família, já estava consciente há pelo menos 10 anos.

«Estavam todos tão habituados a eu não estar lá que nem notaram quando eu voltei a estar presente», disse Martin numa entrevista à Rádio Pública Nacional, na África do Sul.

Durante esses 10 anos, Martin tinha conhecimento do que acontecia à sua volta.  Sabia que todos os dias, às cinco da manhã, o pai o vestia e levava para o centro de cuidados, e que no final do dia o ia buscar, lhe dava banho e o jantar, e o deitava. Sabe também que, de duas em duas horas, alguém da família o ia virar, para que Martin não ficasse com feridas.

Tudo começou no final dos anos 80. Enquanto os médicos tentavam fazer o diagnóstico preciso da meningite criptococose que Martin tinha, o jovem ia perdendo capacidades. Deixou de falar, de se mover e até de fazer contacto visual com a família. Tinha 12 anos e estava em estado vegetativo. 

No seu livro «Ghost Boy: My Escape From A Life Locked Inside My Own Body» (Rapaz Fantasma: a Minha Saída de uma Vida Preso no meu Próprio Corpo, numa tradução livre em português), Martin partilha estas experiências e outras. Conta, por exemplo, como no centro de cuidados via sempre os mesmos desenhos animados e começou a odiá-los. Ou como ouvia todas as palavras dos pais, incluindo as ditas pela mãe,  Joan Pistorius, que mais o marcaram:  «Espero que morras». 

É a história de uma família que não desistiu durante 12 anos, mesmo quando nenhum médico lhes dava esperança, e agora pode ouvir um «obrigado» do filho que, de alguma maneira, presenciou todo o sofrimento e voltou.