O artista chinês Liu Bolin, conhecido como «homem invisível» por se camuflar em cenários naturais com a ajuda de tintas, repetiu a proeza ao «desaparecer» com mais 22 pessoas nas poltronas vermelhas de um teatro de Pequim. No teatro, o artista e os demais vestem fardas militares e máscaras faciais para protegerem o rosto antes de serem pintados.

Em declarações à Reuters TV, durante o evento que decorreu na quinta-feira, Liu Bolin explica que a invisibilidade é uma metáfora do drama das pessoas comuns na sociedade moderna.

«Na China, as pessoas mantêm há muito tempo o estilo de vida da uniformidade, especialmente as pessoas comuns. Essas pessoas parecem já ter injetado no próprio sangue a uniformidade de comportamento ou de pensamento», afirmou Liu Bolin.

«Eu quero questionar essa uniformidade por meio desta obra, e dizer ao público e às pessoas que têm interesse na minha obra que essa questão apresenta alguns problemas», acrescentou o artista.

De acordo com a Reuters, Liu Bolin passou várias horas imóvel com os modelos, enquanto uma equipa de pintores imitava de forma cuidadosa as cores e as linhas das poltronas sobre roupas, rostos e cabelos.

O artista de 40 anos, que também é escultor, já expôs na Ásia, na Europa, no Médio Oriente, Estados Unidos e América Latina. A série artística «Escondendo-se na Cidade» tem fotos em que Liu Bolin se camufla diante de monumentos, edifícios e episódios do quotidiano em Pequim, Veneza, Nova Iorque, entre outros lugares.

Desde 2005, o artista chinês já produziu mais de 100 «obras invisíveis». No novo projeto que apresentou na quinta-feira em Pequim, intitulado «Teatro Vermelho», Liu Bolin fez desaparecer, pela terceira vez, um grupo inteiro. O tema da «cadeira vermelha» já havia sido abordado em 2010, no Teatro La Scala, em Milão.

Liu Bolin começou por abordar o tema da invisibilidade como forma de protesto, numa altura em que o governo chinês mandou demolir o ateliê que Bolin tinha numa aldeia de artistas em Pequim. Desde essa altura, o artista apaixonou-se por essa forma de expressão.

A técnica já tinha sido usada por Liu para disfarçar a banda de rock Bon Jovi para a capa do novo álbum «What About Now».