“Cabeleireiro transgressivo - atreves-te?” é o convite de Alberto Olmedo a quem o visita em Campamento, um modesto bairro de Madrid.
 
O desafio do cabeleireiro explica-se em duas palavras: catanas e maçaricos.
 
É recorrendo àqueles dois instrumentos, sem esquecer a tradicional tesoura (que neste caso serão seis ao mesmo tempo), que o cabeleireiro espanhol corta o cabelo aos seus clientes: facas grandes e afiadas e a chama sempre pronta a atacar as pontas.
 
Este “Eduardo mãos de tesoura” da atualidade diz que não conhece mais ninguém que utilize as mesmas técnicas, mas também garante que não as inventou. “Há centenas de anos utilizavam-se pequenas adagas para cortar o cabelo. Foi um regresso às origens, mas em grande”, justificou Olmedo, citado pelo El País.
 
Tudo começou por causa do efeito “camadas”. O cabeleireiro não queria que as “camadas” ficassem tão “escadeadas ou pronunciadas”. “Poderia utilizar uma navalha, mas necessitava de algo maior, que abarcasse mais cabelo e as catanas acabaram por ser a solução”, argumentou.
 
Quanto aos maçaricos, Alberto Olmedo explicou que “cortar o cabelo com fogo também é uma técnica antiga”. “Antigamente, fazia-se com uma espécie de fósforo, mas havia o problema de não se conseguir dirigir a chama. Ocorreu-me, por isso, usar o maçarico.”
 
Talento que, todavia, não impressionou o júri do concurso “Got Talent?” em Espanha. “Fui com um colega e umas clientes para lhes cortar o cabelo, mas não passei da primeira ronda”, contou, dizendo que o programa será emitido em janeiro.