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«Um ano sem José, mas cheio de Saramago»

Pilar del Rio, viúva do escritor, assinala iniciativas do primeiro aniversário da morte do Nobel da Literatura

Por: Redacção / AR  |  17- 6- 2011  20: 30

Pilar del Rio

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Na véspera do dia em que se completa um ano sobre a morte de José Saramago, Pilar del Rio, viúva do escritor, considera que «este último ano foi, em geral, um ano com Saramago». «Saramago esteve muito presente nas análises políticas e nas análises literárias, foi um ano em que se foram lendo os livros dele, em que se recorreram às propostas dele em várias ocasiões. Foi um ano cheio de Saramago, apesar de a nível pessoal o José não ter estado», afirmou, em jeito de balanço, quando questionada na TVI24 sobre o sentimento mais íntimo da ausência do companheiro.

Em entrevista ao «Diário da Tarde», da TVI24, Pilar del Rio sublinhou que o jardim junto à Casa dos Bicos, em Lisboa, é o sítio ideal para depositar as cinzas do escritor porque é «um acto que obedece a uma lógica poética». A viúva do prémio Nobel português da Literatura realçou que o marido «vai ficar debaixo da janela onde seria o seu escritório e onde ele um dia disse que iria estar sentado a trabalhar e a olhar para o rio e a ver os barcos passar».

Pilar del Rio contou que as cinzas do escritor serão depositadas, no sábado, por debaixo de uma oliveira que foi entretanto transportada da Azinhaga do Ribatejo, onde Saramago nasceu, e que foi transplantada para o Campo das Cebolas, em Lisboa. As oliveiras da Azinhaga são várias vezes referidas no livro «As Pequenas Memórias».

«Ele não vai ver os barcos passar, mas nós, os seus leitores, vamos estar sentados num banco de pedra, da pedra do Memorial do Convento, e poderemos estar sentados e ver passar esses barcos que Saramago não pôde ver e refrescarmo-nos com a sombra da oliveira absolutamente maravilhosa trazida da Azinhaga. Foi trazida com muito respeito e com muita emoção, porque o presidente da Junta de Freguesia e um outro vizinho escolheram uma oliveira que, se calhar, era a que Saramago referia e contava nas Pequenas Memórias onde um dia viu um lagarto verde», referiu com emoção.

Pilar del Rio crê que, para a maior parte dos leitores de José Saramago, «ele continua a ser um escritor vivo» porque continuam a aparecer títulos. «A relação amorosa entre o autor e os leitores continua a produzir-se», constatou, ao mesmo tempo que anunciou alguns projectos da Fundação José Saramago para o curto e médio prazo. Um deles é a publicação em Portugal, em Outubro ou Novembro deste ano, de um romance de juventude de que Saramago falou muitas vezes, mas que nunca quis que fosse publicado: «Clarabóia».

Pilar justifica: «Saramago não quis vê-lo publicado em vida, mas disse que quando ele cá não estivesse...». E assim será.

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