Por: Redacção / PP | 10- 10- 2011 15: 31
Artigo actualizado às 20:07
Os elementos do Corpo de Intervenção da PSP em Lisboa concentraram-se, esta
segunda-feira à tarde, junto às instalações, na Ajuda, «vestidos de preto» para protestar contra o corte do subsídio de serviço
nas férias e baixas médicas, segundo os sindicatos, escreve a Lusa.
Cerca de 60 elementos, vestidos com camisolas
pretas, aderiram ao protesto. Os elementos do Corpo de Intervenção (CI) começaram a concentrar-se às 17:00, quando o grupo
saiu do serviço.
Recorde-se que os protestos começaram na semana passada com «levantamentos de rancho». Esta recusa
em comer o almoço e o jantar vai continuar durante a semana, disse à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Profissionais
da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues.
Em causa está a não atribuição do suplemento especial de serviço no período de
férias, baixas médicas e outras faltas ao serviço, passando o subsídio a ser pago apenas pelos dias de trabalho efectivo.
Todos
os elementos da Unidade Especial de Polícia (UEP), onde está integrado o CI, recebem mensalmente cerca de 300 euros, sendo
também atribuído um suplemento, com valor inferior, aos elementos da investigação criminal.
«O levantamento de rancho»
ao almoço e ao jantar pelos elementos do CI em Lisboa começou na passada quarta-feira, após terem tido conhecimento do despacho
da Direcção Nacional da PSP sobre os cortes no subsídio de serviço.
Segundo o Paulo Rodrigues, o despacho do director
nacional da Polícia de Segurança Pública surgiu após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O presidente do
Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL) também se juntou hoje, durante a hora de almoço, aos protestos.
Os protestos,
que surgiram de forma espontânea e não contam com a colaboração de qualquer sindicato, vão continuar durante a semana, sendo
cancelados caso seja dado «um sinal positivo» por parte da direcção nacional da PSP e apresente «um plano razoável para resolver
o problema» dos polícias.
Manuel Morais, vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP)
e membro do CI, disse aos jornalistas que os polícias do CI estão «indignados» com os cortes no subsídio de serviço, suplemento
que recebem desde a criação desta unidade.
«Só aplicam a lei naquilo que nos prejudicam», disse, adiantando que em
princípio não serão aplicados os retroactivos, tendo a direcção nacional da PSP e o Ministério da Administração Interna «ultrapassado»
essa questão, uma vez que os cortes entraram em vigor em Janeiro de 2010.
«Não queremos que a imagem da UEP seja
beliscada, o que queremos é que se saiba que os polícias desta unidade estão infelizes, descontentes e não têm dinheiro para
pagar as contas».
Por sua vez, Paulo Macedo, do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) e polícia na UEP, explicou
que o suplemento de polícia foi criado «para colmatar a falha» dos serviços remunerados, trabalho feito pelos polícias das
esquadras fora do horário de trabalho.
«Os elementos da UEP não podem fazer [serviços] remunerados, logo têm direito
a este suplemento», disse, adiantando que este subsídio já não é actualizado há muito tempo.
A UEP é composta por
cerca de 900 elementos, mais de 500 dos quais pertencem ao Corpo de Intervenção, sendo os elementos desta unidade os que mais
têm protestado.
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