logotipo tvi24

PCP denuncia «violenta exploração de trabalho»

Jerónimo de Sousa diz que se trata de um «retrocesso» à «exploração do antigamente»

Por: Redacção    |   2012-05-20 16:40

O secretário-geral do PCP acusou este domingo o Governo e a «troika» de terem um «projeto de violenta exploração de trabalho», que está «bem patente» na lei de alteração ao Código do Trabalho, um «retrocesso» à «exploração do antigamente».

«Também hoje a necessidade da luta se apresenta como uma questão crucial de resposta dos trabalhadores e do povo face à política de direita e ao pacto de agressão [acordo com a "troika"], um projeto de violenta exploração de trabalho», disse Jerónimo de Sousa, citado pelo Lusa.

Segundo o líder do PCP, o «projeto de violenta exploração de trabalho» está «bem patente na lei de alteração ao Código do Trabalho, que, há dias, foi aprovado na Assembleia da República pela maioria PSD/CDS-PP com o apoio mal disfarçado do PS».

Jerónimo de Sousa falava em Baleizão, no discurso de encerramento da tradicional homenagem do PCP à trabalhadora rural Catarina Eufémia, assassinada pelas forças do regime fascista, a 19 de maio de 1954, naquela aldeia do concelho de Beja.

A lei de alteração ao Código do Trabalho «é uma violência desmedida contra o mundo do trabalho e os seus mais elementares e legítimos interesses e direitos» e traduz-se «num gravíssimo e inaceitável retrocesso às condições de exploração do antigamente», lamentou.

«Uma lei que promove uma brutal extorsão dos rendimentos do trabalho e ainda um maior desequilíbrio nas relações laborais existentes em desfavor dos trabalhadores», continuou.

Segundo Jerónimo de Sousa, tal é possível «com a imposição do trabalho esforçado e gratuito, subtraindo milhões de euros aos trabalhadores, a diminuição dos salários, com o corte para metade do pagamento de trabalho em dias de descanso, feriados e horas extraordinárias, a facilitação dos despedimentos sem justa causa, a redução dos valores das indemnizações e o ataque à contratação coletiva».

Na votação da lei de alteração ao Código do Trabalho, «foi indisfarçável o arranjo entre os três partidos da troika, da submissão nacional, e que ficou bem patente na votação na especialidade por parte do PS, que acompanhou o PSD e o CDS-PP», disse o líder dos comunistas.

«Votação favorável que [o PS] tentou disfarçar com o voto de abstenção na votação final global», frisou o líder dos comunistas, que interrompeu o seu discurso devido à chuva forte, acompanhada de granizo, que caiu em Baleizão, e abandonou o local sem falar com os jornalistas.

Segundo Jerónimo de Sousa, «tudo o que era pior que mau teve o voto favorável do PS, designadamente a redução do direito de descanso compensatório, a diminuição para metade do pagamento do trabalho suplementar, o despedimento por inadaptação, a redução das indemnizações por despedimento e o roubo de três dias de férias».

A situação atual «está como o tempo neste momento», disse, rematando: «Tal como o tempo, que agora é mau, mas amanhã será bom, também a nossa luta contra o Código do Trabalho, contra esta política, há de resultar e o sol voltará a brilhar para todos nós».

Partilhar
EM BAIXO: Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa

«Desvio internacional pode fazer com que flexibilização seja necessária»
Deputado Luís Menezes, na TVI24
«PM sabe que vai ser necessário um novo resgate»
Eurodeputada Ana Gomes na TVI24
«Eu julgava que o investimento não tinha hora»
Constança Cunha e Sá considera «bizarro» o anúncio de Vítor Gaspar de que chegou «o momento» de criar um supercrédito fiscal
EM MANCHETE
Governo quer serviços mínimos na greve dos professores
Ministério da Educação garante que existem «todos os instrumentos» para a realização dos exames nacionais, mas sindicatos contestam requisição a 17 de junho
UGT apoia greve geral da Função Pública em junho
Chamar palhaço a Cavaco Silva «teve alguma piada»
PUB