«Se o excluem a ele, excluem-me a mim». As palavras pertencem a Manuel Alegre, que esta noite defendeu a permanência do PS na oposição se o partido não vencer as eleições, bem como a manutenção de José Sócrates como líder do partido. Esta sexta-feira, o histórico socialista insuflou de energia o Pavilhão da Académica, que esteve lotado.

As palavras de Alegre foram o contrário do que defendeu esta sexta-feira o presidente do PS, Almeida Santos, ao dizer que «se Sócrates perder não ficará líder».

Manuel Alegre despachava assim logo no início da sua intervenção uma das maiores questões sobre o que será do partido no day after das eleições, caso os socialistas não vençam as eleições. «Há coisas que eu não gosto, não gosto que dirigentes de outros partidos digam que estão dispostos» a falar com outros e não com José Sócrates para um eventual entendimento pós-eleitoral, que ao que indicam as sondagens, terá de ser necessário.

Mais adiante na sua intervenção, Manuel Alegre elogiava Sócrates - «fez um extraordinário trabalho» - e regressava ao tema do dia seguinte às eleições. Espantando fantasmas, declarou que «O PS vai a estas eleições eleições, mas se perder, se for esta a vontade do povo, deve ir para a oposição» «não é vergonha perder». E defendeu que «o PS não deve ser pau-de-cabeleira de uma Governo PSD, CDS».

«Esta é a hora de voltar a dizer a palavra socialismo», clamou o histórico socialista, recebendo «Vivas ao PS». Para Alegre, «seria uma ilusão pensar que este problema», que Portugal atravessa «se resolve com o programa da chamada troika».

«Não se iludam, é a Europa que está em causa». Para Alegre, «Ao contrário do que diz a sra. Merkel, os portugueses são dos que mais trabalham». Mais palmas na audiência.

«O que tem o dr. Pedro Passos Coelho a dizer em relação aos problemas da Europa?» Explorando as diferenças entre uma governação socialista e um governo do PSD, Manuel Alegre disse que a 5 de Junho está em causa o SNS, a escola pública e os serviços sociais. «Temos a convicção de que será tudo muito pior na nossa democracia» se o PSD vencer as eleições.

Um dos temas explorados por Manuel Alegre no seu discurso foi a posição sobre Pedro Passos Coelho sobre o aborto: «Parece que quando era novo vota Sim e agora que é velhinho vota Não». Já no início da sua intervenção, o histórico socialista tinha comentado tem estado «atento» à campanha e que tem ficado «impressionado com o nível de provincianismo mental de alguns dirigentes que todos os dias inventam casos».



Manuel Alegre referiu-se também aos partidos dessa ala mais à esquerda, «uma outra esquerda», «que é pena» que «continuem enganados».

A seguir ao discurso do antigo candidato a presidente da República apoiando pelo PS e Bloco de Esquerda, José Sócrates interveio, tendo realçado o facto do país poder entrar em «conflito social», caso o PSD saia vencedor no próximo dia 5 de Junho. «Essas aventuras convidam ao conflito social», disse

Quase sem voz, o candidato socialista desvalorizou a capacidade de decisão de Pedro Passos Coelho, dando como exemplo o que se passou no capítulo da Educação, sobre o qual disse publicamente que ira rever quando lhe apontaram algumas críticas. Também regressou ao tema do referendo ao aborto , acusando-o de, mais do que ter mudado de opinião, ter mudado de convicção.

O ainda primeiro-ministro quis desmontar essa atitude, dando o seu exemplo de vida e da firmeza das suas convicções: «Ao longo deste anos e meio tomei muitas decisões difíceis, mas um pais sabe que um primeiro-ministro que não saiba tomar decisões não está à altura do cargo».

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