Por: Paula Oliveira | 27- 5- 2011 23: 13
«Se o excluem a ele, excluem-me a mim». As palavras pertencem a Manuel Alegre, que esta noite defendeu a permanência
do PS na oposição se o partido não vencer as eleições, bem como a manutenção de José Sócrates como líder do partido. Esta
sexta-feira, o histórico socialista insuflou de energia o Pavilhão da Académica, que esteve lotado.
As palavras de
Alegre foram o contrário do que defendeu esta sexta-feira o presidente do PS, Almeida Santos, ao dizer que «se
Sócrates perder não ficará líder».
Manuel Alegre despachava assim logo no início da sua intervenção uma das
maiores questões sobre o que será do partido no day after das eleições, caso os socialistas não vençam as eleições.
«Há coisas que eu não gosto, não gosto que dirigentes de outros partidos digam que estão dispostos» a falar com outros e não
com José Sócrates para um eventual entendimento pós-eleitoral, que ao
que indicam as sondagens, terá de ser necessário.
Mais adiante na sua intervenção, Manuel Alegre elogiava
Sócrates - «fez um extraordinário trabalho» - e regressava ao tema do dia seguinte às eleições. Espantando fantasmas, declarou
que «O PS vai a estas eleições eleições, mas se perder, se for esta a vontade do povo, deve ir para a oposição» «não é vergonha
perder». E defendeu que «o PS não deve ser pau-de-cabeleira de uma Governo PSD, CDS».
«Esta é a hora de voltar
a dizer a palavra socialismo», clamou o histórico socialista, recebendo «Vivas ao PS». Para Alegre, «seria uma ilusão pensar
que este problema», que Portugal atravessa «se resolve com o programa da chamada troika».
«Não se iludam, é
a Europa que está em causa». Para Alegre, «Ao contrário do que diz a sra. Merkel, os portugueses são dos que mais trabalham».
Mais palmas na audiência.
«O que tem o dr. Pedro Passos Coelho a dizer em relação aos problemas da Europa?»
Explorando as diferenças entre uma governação socialista e um governo do PSD, Manuel Alegre disse que a 5 de Junho está em
causa o SNS, a escola pública e os serviços sociais. «Temos a convicção de que será tudo muito pior na nossa democracia»
se o PSD vencer as eleições.
Um dos temas explorados por Manuel Alegre no seu discurso foi a posição sobre Pedro
Passos Coelho sobre o aborto: «Parece que quando era novo vota Sim e agora que é velhinho vota Não». Já no início da sua intervenção,
o histórico socialista tinha comentado tem estado «atento» à campanha e que tem ficado «impressionado com o nível de provincianismo
mental de alguns dirigentes que todos os dias inventam casos».
Manuel Alegre referiu-se também aos partidos
dessa ala mais à esquerda, «uma outra esquerda», «que é pena» que «continuem enganados».
A seguir ao discurso
do antigo candidato a presidente da República apoiando pelo PS e Bloco de Esquerda, José Sócrates interveio, tendo realçado
o facto do país poder entrar em «conflito social», caso o PSD saia vencedor no próximo dia 5 de Junho. «Essas aventuras
convidam ao conflito social», disse
Quase sem voz, o candidato socialista desvalorizou a capacidade de decisão
de Pedro Passos Coelho, dando como exemplo o que se passou no capítulo da Educação, sobre o qual disse publicamente que ira
rever quando lhe apontaram algumas críticas. Também regressou ao tema do referendo ao aborto , acusando-o de, mais do que
ter mudado de opinião, ter mudado de convicção.
O ainda primeiro-ministro quis desmontar essa atitude, dando o seu
exemplo de vida e da firmeza das suas convicções: «Ao longo deste anos e meio tomei muitas decisões difíceis, mas um pais
sabe que um primeiro-ministro que não saiba tomar decisões não está à altura do cargo».
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