Por: tvi24 / FC | 18- 11- 2011 21: 28
Os impostos não vão aumentar na Madeira. A garantia foi dada por Alberto João Jardim, entrevistado no «Jornal das 8» da
TVI. O presidente do Governo Regional quebrou o silêncio sobre o programa de ajustamento, depois de ter cumprido uma
série de reuniões com responsáveis governamentais no continente.
Em cima da mesa a discussão do plano de ajustamento
para a Madeira. Ainda sem acordo e com as negociações a decorrer, o líder já sabe o que vai fazer: «Vai ser duro. Não vou
aumentar os impostos. Vai haver privatizações, começando pelos transportes. Não vai haver despedimentos na administração pública.
Não vai haver nada adicional em relação ao continente».
Alberto João Jardim afirma que é o governo regional quem
decide quais as medidas de austeridade a tomar e assegura que vai fazer «menos obras». Enquanto decorrem as negociações, o
presidente do Governo Regional dá alguns pormenores já certos
«Este empréstimo vai pagar as mesmas taxas de juro
que o Estado vai pagar para poder ter liquidez durante o mesmo tempo», frisou.
Uma grande divergência para alcançar
um acordo tem a ver com o valor da dívida: «Eu digo que são os tais 5,8 mil milhões e eles dizem que são os tais 6,3 e estamos
nisto. A Madeira tem uma dívida que é um 1,8% da dívida total portuguesa e tem 2,5% da população do país. Isto é, se calhar
até devíamos ter feito mais divida». Jardim, aliás, insiste que a dívida total do Estado português é de 330 mil milhões de
euros.
Uma ironia de Jardim. Ponto assente para o líder madeirense é manter a zona franca e se possível «ser ainda
mais competitiva». Espera para ver quem é que vai fazer melhor trabalho de ajuste financeiro nos próximos quatro anos.
Explicou,
ainda, que o que falou com Pedro Passos Coelho não foi apenas a situação financeira da Madeira, mas também foram abordados
«temas políticos, como a administração pública». Ficou também esclarecido porque é que o primeiro-ministro não foi convidado
para a cerimónia de tomada de posse do Governo Regional e a ausência do líder do partido durante a campanha eleitoral.
Críticas
à Europa
Jardim ainda teve tempo para criticar as medidas impostas pela troika, falando da situação na Europa:
«Neste momento estamos sobre administração estrangeira, que seja quem for que esteja e não cumprir instruções no dia seguinte
não há dinheiro para salários».
«O que está em causa é a União Europeia. Enquanto a Europa não for federal, andamos
a brincar. Sou federalista e se foi tão longe, só há possibilidade de ir para a frente. Se não alterarmos rapidamente a vida
da União Europeia, se continuar esta feira de vaidades, daqui a quatro anos estamos ainda pior», vincou, garantido que «a
política da troika está errada».
Na parte final da entrevista, o líder regional admitiu ter cometido alguns erros,
mas nunca de fundo e a arrepender-se de alguma coisa «talvez a escolha de algumas pessoas». De resto, orgulho: «Se eu não
fizesse as coisas a tempo na altura em que era possível, a Madeira ainda estava mais atrasada do que há 30 anos».
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