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«Eu próprio, o que já não terei sido escutado?»

Alberto João Jardim fala sobre as escutas nas secretas, o fim da zona franca da Madeira e uma eventual ajuda à região autónoma

Por: Redacção / CP    |   2011-08-29 22:04

Alberto João Jardim está «preocupado», mas não surpreendido, com as notícias segundo as quais as secretas escutaram um jornalista do Público. «Isso é mais um aspecto da decadência da democracia portuguesa», disse, no seu comentário semanal na TVI24.

«Eu próprio, que sou opositor do regime político, o que já não terei sido escutado? Mas o que digo é mesmo para os que me escutam ouvirem o que penso», desafiou.

O social-democrata reagiu a uma notícia do «Jornal de Negócios» que dá conta que a renegociação dos benefícios fiscais para a zona franca da Madeira com Bruxelas «está fora de questão» devido aos compromissos assumidos com a troika.

«Não há fim nenhum da zona franca da Madeira. Se acabasse, as empresas iriam para o Luxemburgo, Malta, Chipre... Os portugueses não podem deixar que os senhores da troika rebentem com a zona franca para beneficiar outras zonas francas da Europa», avisou.

O líder madeirense alertou que, caso essa notícia se confirme, «vai levantar outra vez o reequacionar de qual é a vantagem de estar numa república portuguesa que nos está a cortar as pernas».

Jardim garante, no entanto, não ter a «intenção» de liderar essa vontade independentista. «Tenho muito orgulho em ser português. Eu não sou separatista, mas tenho de defender as pessoas que me elegeram».

Respondendo ao líder socialista, António José Seguro, que no domingo exigiu saber que tipo de ajuda irá receber a Madeira para enfrentar a crise da dívida, Alberto João Jardim garantiu que «não há acordo nenhum com o Governo».

«Está a trabalhar-se nisso. Só haverá acordo depois das eleições na Madeira», concluiu.

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