Por: Redacção / FC | 26- 5- 2011 13: 20
Há mais de 755 mil eleitores fantasma nos cadernos eleitorais, cerca de 8% do total de inscritos, e que podem ter um peso
importante no vencedor nas eleições legislativas de 5 de Junho. Este é, pelo menos, o resultado de um estudo realizado por
dois politólogos, que alertam ainda para o facto da direita sair beneficiada devido à distribuição errada de eleitores em
vários círculos.
Na maioria, são pessoas já falecidas e emigrantes que continuam registados na morada antiga. Contas
feitas pelos politólogos Luís Teixeira e José Bourdain, que alertam para o risco de um recenseamento desactualizado ditar
um falso vencedor nas eleições de 5 de Junho.
«O que está em causa é o último deputado a ser eleito pelos círculos
que têm eleitores fantasma a mais e por isso estão a eleger um deputado a mais em cada círculo eleitoral. E depende dos partidos
que ficaram com o último deputado que ficou à porta para ser eleito nos distritos que têm menos eleitores-fantasma. A questão
é esta», refere José Bourdain.
E a questão explica-se com um exemplo: se os cadernos eleitorais estivessem actualizados,
Viana do Castelo, Faro e Madeira perderiam 157 mil eleitores. Estes três distritos, que votam historicamente à direita, elegeriam
assim menos três deputados. Mandatos que seriam atribuídos aos distritos de Setúbal e do Porto, que votam mais à esquerda.
Uma
conclusão a que os dois politólogos chegaram, cruzando dados da Direcção-Geral da Administração Interna, Serviço de Estrangeiros
e Fronteiras e Instituto Nacional de Estatística. A Direcção-Geral, responsável pelo recenseamento eleitoral, discorda das
conclusões dos investigadores.
«É uma hipótese académica que haja mais um mandato num círculo do que noutro. Agora,
se isso tem influência sobre os mandatos dos partidos acho que é pura especulação. Não existem fantasmas. Os que estão recenseados
no território nacional e que sejam eventualmente emigrantes têm de se deslocar ao território nacional para votar. É por isso
que a percentagem de abstenção sai sempre um pouco exponenciada», explicou o director Jorge Miguéis.
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