
Por: Paula Oliveira | 21- 5- 2011 23: 6
José Sócrates continua aberto ao diálogo com outros partidos e acusou este sábado o líder do PSD de «sectarismo»
e «irredutibilidade» ao pretender
que um partido como o CDS - para muitos, aquele que tem assento garantido no próximo Governo, independentemente de quem ganhe
- diga já se está disposto a fazer uma coligação pós-eleitoral com os socialistas, caso o partido vencedor não tenha maioria
absoluta.
«O doutor Pedro Passos Coelho está a pretender que outros sigam o seu exemplo de sectarismo e de irredutibilidade.
O país já pagou um preço por falta de diálogo, o país já pagou um preço pelo facto de o líder do PSD estar irredutível»,
considerou o secretário-geral do PS à saída do comício que fechou a praça Giraldo, em Évora.
No seu discurso de cerca
de meia-hora, José Sócrates acusou Passos Coelho de ter o programa «mais radical que a direita alguma vez apresentou» e mostrou-se
convicto de que Passos Coelho «deitou o Governo abaixo e fez levantar o PS, que aqui está para dizer ao PSD que é o PS
quem vai ganhar estas eleições».
José Sócrates assumiu-se como o homem da luta neste comício, pedindo a mobilização
dos socialistas, incluindo «democratas-cristãos» e «sociais-democratas», na luta pelo Estado Social na saúde e educação. Para
todos, a mensagem final acabou por ser uma só: «Esta é a nossa luta!»
Sentados nas bancadas montadas de propósito
para o comício, deram nas vistas muitos cidadãos oriundos de outras paragens, olhados com desconfiança por habitantes da
cidade alentejana. B.Singl, imigrante de Punjab, na Índia, estava entre o grupo dos sikhs. Num português atrapalhado,
desfez parte do mistério. «Sócrates é muito boa pessoa, tratou de dar nacionalidade, tratou de tudo. Não moro aqui em Évora,
viemos todos de Lisboa em cinco autocarros», explicou, sem conseguir dizer como foi que isso aconteceu ou quem o convidou.
Para este imigrante indiano em Portugal desde 1995, «sem emprego há quase um ano e meio», o trabalho desempenhado
pelo primeiro-ministro demissionário resume-se apenas a elogios, até porque a política social portuguesa permitiu-lhe continuar
a sustentar a família que deixou para trás com o subsídio de desemprego que ainda continua a auferir. A seu lado, o amigo
de turbante e barba longa, igualmente desempregado, acena com a cabeça em sinal de concordância.
Entre os convidados
que encheram cerca de metade da plateia que ouviu o secretrário-geral socialista estava também Arlinda Moniz, cabo-verdiana
imigrante há cinco anos em Portugal, moradora nos subúrbios de Lisboa. «Se eu não votar no Sócrates, o meu marido mata-me»,
atira entre sorrisos enquanto, questionada sobre como foi ali parar, aponta o dedo à «presidente da associação» que a levou
para o comício, a ela e a muitos cidadãos de origem africana.
Recorde-se que Passos Coelho disse há cerca de uma
semana na Amadora, onde vive, que era «o mais africano dos candidatos» - título lhe tem valido vários comentários políticos
e críticas das comunidades. Afinal, Sócrates também goza de popularidade entre a comunidade afro, acredita-se. Tatiana
Sancho, que tenta organizar agora o regresso a casa depois do passeio-comício socialista, explica que ela e aquelas pessoas
todas «são apoiantes do PAICV (Partido Africano de Independência de Cabo Verde ) e apoiam o PS porque José Sócrates tem
ajudado os imigrantes». Mas e os sikhs que vieram da Índia?, interrogamos. Tatiana encolhe os ombros:«Não sei
como vieram», garante.
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