
O ministro das Finanças diz que o aumento de impostos para este ano era inevitável para se arrecadar receitas rapidamente e que baixar impostos em 2015 ou 2016 seria imprudente e não seria compreendido nem pelos portugueses nem pela troika.
«Possíveis reduções de impostos em 2015 e 2016 seriam uma imprudência que não seria compreendida pelos portugueses e pelos nossos parceiros internacionais», afirmou o governante, citado pela Lusa.
Vítor Gaspar, que falava no âmbito do ciclo de debates «As Reformas da República», que se realiza na Universidade Católica em Lisboa em parceria com a Rádio Renascença, respondeu ainda a questões do painel sobre o aumento da carga fiscal decidido em 2011 e que entrou em prática em 2012.
«O aumento da carga fiscal que ocorreu fundamentalmente o ano passado e foi decidido o ano passado para este ano foi inevitável, dada que a velocidade que era necessária para ter um processo de consolidação orçamental bem-sucedido, exigia medidas que pudessem ser eficazes num prazo muito curto. Infelizmente as medidas que têm a ver com a carga fiscal têm essa característica», disse.
O governante disse, no entanto, que à medida que o programa for sendo bem-sucedido, e que se criar espaço orçamental neste período, Portugal poderá começar a ganhar folga para o «exercício pleno das opções políticas».
Governo anterior avaliou mal a crise
O ministro das Finanças acusou novamente o anterior Governo socialista de ter seguido políticas expansionistas agressivas que levaram à quase bancarrota do país por acreditarem que a crise económica e financeira seria «de curta duração».
«Portugal, de um ponto de partida que não era favorável e que não dispúnhamos de espaço orçamental, resolveu que a crise global que se vivia seria temporária, seria de curta duração, e portanto era apropriado seguir políticas orçamentais ativas de estabilização. Em 2008 e 2009 foram seguidas políticas de expansão orçamental agressivas. Estas levaram a níveis de défice públicos elevados e a um crescimento muito rápido da dívida pública», afirmou Vítor Gaspar.
O governante defendeu que essas decisões levaram ao pedido de ajuda em abril de 2011 para evitar uma bancarrota do país em junho desse ano.
«Em 2010 e 2011, estas decisões conduziram a uma situação insustentável, com uma deterioração completa da nossa confiança e credibilidade, a nossa impossibilidade de nos financiarmos nos mercados de obrigações e portanto um pedido de ajuda internacional tornou-se inevitável para evitar a bancarrota em junho de 2011», afirmou.
Vítor Gaspar voltou a sublinhar que «Portugal é um exemplo de que o excesso de despesa não leva a um crescimento sustentado» e que o recurso a políticas orçamentais expansionistas quando não se criou margem orçamental suficiente nos exercícios anteriores levam a situações de instabilidade muito graves.
«O excesso de despesa não esteve associado a um desempenho associado em termos de crescimento, pelo contrário. Portugal foi o país no euro que menos cresceu com exceção da Itália», adiantou.