O presidente do BCP, Nuno Amado, disse esta quinta-feira à noite que o banco tenciona começar a pagar ao Estado, o dinheiro que recebeu, em meados de 2014. Em causa estão 3 mil milhões de euros.

Na sua primeira grande entrevista a Judite Sousa, num especial da TVI24, Amado garantiu que a intenção - de iniciar o pagamento da dívida do banco - «é começá-lo a fazer em meados de 2014, (não antes), para terminar em 2016», ainda que esse «repagamento possa ser feito em qualquer momento, entre agora e 2017».

O atual líder do BCP disse ainda que o reembolso da primeira tranche - a avançar daqui a dois anos - deverá oscilar entre 500 e 750 milhões de euros. «É esse o pagamento que pretenderemos fazer nessa altura», mas «se pudermos fazer mais rápido e antecipar faremos».

Amado acrescentou, depois, que até «poderíamos ter um plano em que todo esse esforço fosse feito apenas em 2017, mas achámos por bem fazê-lo mais cedo». E explicou porquê: «O BCP, a partir de 2014, vai voltar a ser rentável, não tenho dúvidas sobre isso. Tem um conjunto de atividades no exterior, de resultados e receitas que também vão ajudar ao pagamento dessa própria dívida».

«O banco tem uma posição em Angola, Moçambique e Polónia muito relevante. Estou convencido de que vamos beneficiar disso», sublinhou.

No que toca a resultados, admitiu, que os «de 2012 não serão bons». Pelo contrário, «serão muito difíceis» - depois do prejuízo de 500 milhões de euros com a participação num banco grego - mas não confirmou as previsões de 800 milhões de euros de perdas, relativos aos primeiros nove meses do ano.

BCP vai dispensar pelo menos 600 trabalhadores

Quando à eventualidade de ter de cortar postos de trabalho, Amado anunciou que «infelizmente» terá de «dispensar umas largas centenas de pessoas».

«Não temos os números fechados, mas o que está no nosso plano é 600, que corresponde a acelerar 200/300 por ano. Mas isso será conhecido dentro de poucas semanas», assegurou, antes de acrescentar que o banco será o «mais correto possível» com essas pessoas.

«O BCP reduz normalmente cerca de 200 pessoas por ano. Neste momento devido à nossa estrutura pesada, temos de acelerar isso. Mas vai ser um processo correto, transparente e de justiça social».

Antes, Amado já tinha criticado o atual regime português. «É um crime para a economia portuguesa não termos um regime como outros países têm, que permite uma maior flexibilidade», atirou.

Já sobre a situação económica e política do país, o homem forte do BCP apenas disse que defende uma coligação entre vários partidos para viabilizar medidas de incentivo à economia e uma revisão da Constituição que, disse, «está a impedir Portugal de gerar riqueza».

Amado - que está há mais de sete meses à frente do BCP - revelou também que foi o banco que pagou a pensão do anterior presidente, Jardim Gonçalves. «As reformas dos ex-administradores foram integralmente pagas pelo BCP», frisou, contrariando a afirmação do ex-líder, que garantiu que a sua reforma «não custa nada ao banco».

Mais: Amado estranhou, na mesma entrevista, que o BCP tivesse avançado com um processo em tribunal - contra o anterior líder - sem primeiro ter tentado um acordo.

A polémica vem à tona na mesma semana em que Jardim Gonçalves afirmou que o BCP nunca tentou chegar a um acordo para baixar a pensão que recebe, neste momento. Notícias recentes revelam que o valor da reforma de Jardim Gonçalves ronda os 175 mil euros/ mês.