Por: Redacção / RL | 10- 2- 2012 13: 2
O ministro das Finanças «finge» em Portugal que é possível cumprir o programa de ajustamento financeiro, mas depois anda
de «mão estendida» em Bruxelas «à espera de uma benesse qualquer». A reacção é do Bloco de Esquerda ao vídeo divulgado esta
quinta-feira pela TVI, de uma conversa informal mantida antes da reunião do Eurogrupo entre Vítor Gaspar e o seu homólogo
alemão, Wolfgang Schauble, na qual este garante rever condições da ajuda a Portugal, depois de resolvida a questão da Grécia.
«Na prática, percebemos que o ministro das Finanças finge cá em Portugal que o acordo é possível de cumprir, mas
depois coloca-se de mão estendida em Bruxelas à espera de uma benesse, de uma qualquer migalha do Governo alemão», disse o
deputado Pedro Filipe Soares, numa declaração no Parlamento, citado pela Lusa.
E, embora mais tarde, Vítor Gaspar
tenha garantido que não vai pedir nem mais tempo nem mais dinheiro e que as palavras de Schauble foram apenas repetições das
palavras dos líderes europeus, o BE, diz que o ministro «tenta dar o dito por não dito, porque aquilo que todos viram,
aquilo que todos ouviram é um ministro de mão estendida que não acredita que este acordo é cumprível», ao mesmo tempo
que «está a levar o país numa senda de austeridade que destrói a economia, sem qualquer saída à vista que não seja esta benesse,
estas migalhas alemãs».
O deputado insistiu que, na conversa filmada e divulgada pela TVI entre os dois ministros,
Vítor Gaspar «dá a entender» que «acredita que este plano é incumprível», porque se assim não fosse, «não aceitaria, não diria
muito obrigado como disse ao governante alemão».
Diálogo entre ministros mostra «farsa imensa»
Também
o PCP criticou hoje o diálogo entre os dois ministros das Finanças, considerando que revela «a farsa imensa que se desenvolve
há dois anos».
«Este diálogo só mostra a farsa imensa que se desenvolve no nosso país há dois anos, em que todas
as medidas, todos os programas, todos os planos, primeiro os PEC e agora os programas de ajustamento, são definitivos até
serem alterados, pressionados pela política que eles próprios vão provocando», disse o deputado comunista Agostinho Lopes.
Por
isso, Agostinho Lopes advertiu que «o povo português não deve agradecer ao ministro alemão, porque a nova receita será
certamente de mais austeridade, mais falências de empresas, mais desemprego, a continuação do afundamento do país».
PSD
argumenta: não há «qualquer novidade»
Já o PSD diz não compreender a polémica em torno desta conversa entre os
ministros, uma vez que não tem «qualquer novidade».
«Não compreendo essa polémica. Aquilo que resulta da conversa
que pude observar é que, se na data em que está previsto que Portugal regresse aos mercados financiando-se normalmente, em
Setembro de 2013, se nessa altura os mercados continuarem fechados e não houver possibilidade de Portugal se financiar, então
aí as instituições internacionais que hoje nos estão a financiar, estão disponíveis para prolongar a ajuda e financiamento»,
disse, por sua vez, o deputado Miguel Frasquilho, também citado pela Lusa. «Isto não é qualquer novidade».
Da parte
do PS, António José Seguro pediu explicações ao primeiro-ministro, por considerar o discurso do Governo incompreensível.
Programação - Semana de 17 de Maio a 23 de Maio
O Jardim das NotíciasAs crónicas diárias de Victor Moura-Pinto
25ª Hora - Quinta-feiraHoje com António Perez Metelo
Política MesmoHoje com Carlos Barbosa