«Grilo da Zirinha»: «não é a única Alzira» da freguesia

MP pede a absolvição de cantor pimba

Por: Redação    |   18 de Abril de 2013 às 18:10
O Ministério Público defendeu esta quinta-feira a absolvição do cantor popular de Braga processado por uma vizinha por causa do tema sobre «o grilo da Zirinha», confessando nem sequer conseguir perceber por que é que o caso está em julgamento.

O procurador António Gonçalves lembrou que o Ministério Público (MP) não acompanhou a acusação mas «lamentavelmente», por força da lei, «foi obrigado» a participar no julgamento.

Considerou que foi «despropositado» o recurso ao poder judicial para dirimir o conflito.

«Se fosse assim, todos os cantores praticavam crimes», ironizou.

O processo contra o cantor popular João Miguel Costa, de Padim da Graça, Braga, foi movido por uma vizinha, de nome Alzira, por injúria e difamação, por causa da letra de um tema em que o artista diz que caçou «o grilo à Zirinha».

A queixosa alegou que o tema lhe era dirigido, por alegadamente ser a única mulher de Padim da Graça tratada por Zirinha, e queixou-se que a letra insinua que manteve um relacionamento sexual com o cantor.

No entanto, e para o MP, «não há o mínimo de evidência de que as palavras» da canção sejam dirigidas à queixosa, até porque «não é a única Alzira» da freguesia.

O magistrado não censurou o facto de a mulher se sentir difamada, mas sublinhou que ao arguido não pode ser imputada a prática dos crimes de que está acusado só por causa da «hipersensibilidade» da queixosa.

Uma posição corroborada pela advogada de defesa do cantor, que acrescentou que a letra da canção, «ainda que, por acaso, fosse considerada desonrosa, numa poderia ser considerada ilícita, já que isso poria em causa da liberdade de criação artística».

Já o advogado da queixosa, Miguel Torrinha, enfatizou que, naquela canção «grilinho tem o significado de grelinho», um termo popular para designar a vagina, e que o que transparece para quem ouve é que aconteceu «alguma coisa» entre o cantor e a «Zirinha», pondo em causa valores como o respeito e a fidelidade, «muito importantes para as pessoas, sobretudo em meios pequenos».

Alegou ainda que o cantor quis ganhar dinheiro à custa da vizinha, «o que está a conseguir», pelo que deve ser condenado pelos crimes de que é acusado e ao pagamento de uma indemnização à queixosa.

Disse que, a vingar a tese de liberdade de criação artística, estava encontrada uma forma de difamar impunemente: «faz-se uma música e dá para tudo».

No processo, a vizinha, casada, mãe de três filhos e avó de um neto, pede uma indemnização de 6000 euros.

Diz que a canção a tornou alvo de chacota popular, que até as crianças da freguesia já cantam «o grilo da Zirinha» e que sempre que ouve o tema fica «uma pilha de nervos».

Queixa-se de que o próprio cantor já a provocou, pondo o tema a tocar no carro, ¿com o volume no máximo e a altas horas da noite¿, fora da sua porta.

O tema da polémica chama-se «Cacei o grilo» e faz parte de um CD lançado por João Miguel da Costa.

Na letra, apresenta a Zirinha como amiga e diz que um dia lhe pediu para que a ela a deixasse tocar no «grilo».

A Zirinha «não pôs isso em questão», não disse que não, e então o cantor começou «a apalpar».

No refrão, João Miguel repete, alegremente, «Cacei o grilo na toquinha, cacei o grilo à Zirinha».

No banco dos réus, está ainda um amigo de João Miguel, acusado de também «ajudar à festa», por ter respondido «ai comia, comia», quando o cantor, alegadamente referindo-se à Zirinha, lhe perguntou se comia aquele grilinho.

A leitura da sentença está marcada para 8 de maio, escreve a Lusa.
PUB
Partilhar
EM BAIXO: João Miguel da Costa canta «Grilo da Zirinha» (Youtube)
João Miguel da Costa canta «Grilo da Zirinha» (Youtube)
COMENTÁRIOS

PUB
CDS-PP abre porta ao diálogo com o PSD «com vista ao futuro»

O líder democrata-cristão e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, garantiu este sábado que «não será pelo CDS-PP que se criarão dificuldades ou demoras» a um diálogo com o parceiro de coligação com vista às próximas eleições, mas deixa um alerta: «não se deve ter pressa em demasia», nem «se deve demorar em excesso», porque «na vida e na política há o momento certo»