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«O que vai estar sempre na moda é a inteligência»

Galiya Nurkasim nasceu no Cazaquistão, formou-se em economia no Uzbequistão e está em Portugal há sete anos, onde foi cabeleireira

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   |   2012-11-10 10:10



A crise atrofia-nos, apresenta-nos saídas que não queremos enfrentar. Faz-nos falar mal do país, das portas que se fecham e dos abismos que se abrem. Mas continuamos a ter o sol, a paisagem, a terra que nos viu crescer. Somos apaixonados por este palmo de terreno à beira mar plantado. Um espaço harmonioso apesar das dificuldades, quase irresistível.

Galiya Nurkasim apaixonou-se por Portugal há sete anos e já não quer regressar ao seu país, o Cazaquistão. Com formação universitária na área da economia e gestão pela Universidade de Tashkent (no Uzbequistão), foi bancária durante quatro anos e meio, mas o casamento falou mais alto e decidiu acompanhar o marido até à ponta oeste da Europa.

Em Portugal nunca conseguiu exercer na área de formação. Foi cabeleireira durante sete anos e agora tenta a sua sorte nas relações públicas. Fala seis línguas: cazaque, uzbeque, russo, inglês, espanhol e... português.

«Vim pela primeira vez a Portugal em 2004, mas estive só um mês e saí, porque a adaptação não foi assim tão fácil. Pela primeira vez na minha vida estava muito longe da minha família, pois são dois mil quilómetros de distância. Voltei passados oito ou nove meses. Definitivamente em Portugal estou há sete anos e isso já me deu para me adaptar ao país e ao povo. Até já posso dizer que penso em português», conta Lya - o nome pelo qual é tratada em Portugal.

A disciplina soviética levou-a a aprender a língua sem recorrer a qualquer instituto. Tornou-se uma auto-didata: «Vivia na zona da Maia e aí não havia quase ninguém a falar em inglês, o que me obrigou a aprender rapidamente o português. Qualquer coisa que falavam tentavam explicar por gestos ou desenhos. Tive uma ajuda enorme. Depois do primeiro mês decidi que tinha de aprender mesmo a língua para poder acompanhar o meu marido. Aí acabou-se tudo o resto e começávamos a falar, ouvir e discutir em português lá em casa. Aprendi tudo sozinha. Comecei a ler só em português, mesmo sem perceber. Cada página que lia, traduzia».

Atenta à realidade do nosso país, confessa que o facto de o marido ter uma profissão estável evita problemas de maior. «Na minha pele não estou a sentir tanto a crise. Ele trabalha numa empresa portuguesa, mas as propostas são todas do estrangeiro. Talvez por isso não sintamos tanto», conta, explicando que a educação que teve no Cazaquistão ajuda-a a evitar gastos supérfluos.

«Sempre fui poupada. Isso vem da União Soviética, onde somos habituadas a poupar. Gastamos 50 e guardamos os outros 50. Não tenho cartões de crédito, nunca tive. Trabalhei na parte dos créditos e sei a dificuldade em fechar estes cartões», confessa, não escondendo que fica um pouco impressionada com um certo gasto desmedido de alguns portugueses.

«Em vez de gastar tudo no dia-a-dia, prefiro gastar nos estudos, num bom livro, investir em mim. Afinal de contas, o que vai estar sempre na moda é a inteligência», reforça.

Lya já conseguiu convencer a irmã Ainura a viver em Portugal e não consegue imaginar o seu futuro fora do país. «É verdade que a Ásia está a crescer e o Cazaquistão tem uma potência económica elevada, mas a paixão por Portugal e por Lisboa é tão forte que não sei se consigo voltar viver lá», diz, explicando que quando vai passar férias à sua terra já sente dificuldades em adaptar-se ao ritmo e costumes do Cazaquistão.

Portugal pode ser, para muitos, um país sem rumo nem esperança, mas para esta cazaque que já viveu no Uzbequistão, na Rússia, na Bélgica e em Espanha, só Portugal «ficou mesmo no coração».

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Classe média - Galiya Nurkasim

Reportagem classe média - Galiya Nurkasim (foto: Filipe Caetano) EM CIMA: Reportagem classe média - Galiya Nurkasim (foto: Filipe Caetano)

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