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«Em Portugal, um burro de carga vive de subsídios»

Subsídios da União Europeia já não chegam para manter os animais da «Terra de Miranda» e são destaque num artigo do The New York Times

Por: Redacção / EC    |   2013-11-29 18:34

O New York Times publicou esta sexta-feira um artigo em primeira página, na sua versão internacional, onde fala dos burros mirandeses e como estes animais protegidos estão a viver de subsídios da União Europeia, estabelecendo, ainda, um paralelismo com a realidade económica dos portugueses que os mantêm.

Esta espécie, que esteve perto da extinção, tem agora uma população que ronda os 800 exemplares, mantidos por agricultores devido aos subsídios de cerca de 170 euros que recebem da UE.

O artigo escrito por Raphael Minder, que esteve em Paradela, no norte do país, chega a comparar os animais «negligenciados durante décadas» e os seus donos, já que ambos vivem «ameaçados pelo declínio da população e dependentes para a sobrevivência, de subsídios da União Europeia».

Os donos que antes mantinham estes animais também por afeição, já não veem outra razão para os manter se os subsídios desaparecerem.

Se não fossem os subsídios «não faria qualquer sentido económico manter os meus burros, independentemente da afeição que tenho por eles», conta Gonçalo Domingues ao NYT, um homem de 70 anos que tem dois destes animais.

Uma vez que a população mais jovem vai desertando das aldeias da «Terra de Miranda», os mais velhos começam a deixar de ter saúde ou disposição para os manterem. Camilo da Igreja é um destes casos, que após uma cirurgia a uma anca foi «forçado» a vender os dois burros mirandeses que tinha.

«Eu lembro-me de quando os burros andavam pela maioria das nossas estradas, o que não é o caso hoje», diz Filomena Afonso, diretora do gabinete de recursos genéticos animais do Ministério da agricultura, que estima que a população destes animais tenha caído para um quarto desde os anos 70.

No entanto, os subsídios podem não estar a chegar para manter os burros mirandeses. O jornal americano estima um custo de cerca de 480 euros por ano para os sustentar, ou seja, mais do dobro do dinheiro que os agricultores recebem.

Javier Navas, um veterinário que está a preparar uma tese sobre estes animais, afirma que os agricultores estão «a manter os burros mais por amor do que pelos subsídios».

Waltraud Kugler, diretora do projeto «Fundação SAVE», uma organização europeia de conservação animal, diz que o problema da falta de motivação em criar e procriar estes animais está para além da falta de subsídios.

«O burro é visto como um animal estúpido e dos pobres, e essa reputação é difícil de retirar das cabeças das pessoas», conclui.

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EM BAIXO: New York Times faz manchete sobre burros mirandeses (Reprodução / New York Times)
New York Times faz manchete sobre burros mirandeses (Reprodução / New York Times)

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