O secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, disse esta quarta-feira que o Presidente da República trouxe um "recado muito importante" na intervenção que fez nas cerimónias do 5 de Outubro contra a "política do populismo".

"Ouvimos com muita atenção [o Presidente], na oposição temos responsabilidades, mas é um recado muito importante para o Governo", vincou Matos Rosa, em declarações aos jornalistas no final das cerimónias na Praça do Município, em Lisboa.

O social-democrata lamentou "alguma política" que tem sido feita, "política do populismo, da espuma dos dias, longe dos portugueses", e declarou que os dez meses do Governo do PS são "dez meses de tempo perdido para Portugal e para os portugueses".

Sobre o futuro Orçamento do Estado, o PSD diz temer a "procura insaciável de impostos" do executivo.

"Não são bons princípios que vemos para o Orçamento. Há uma instabilidade grande com uma procura insaciável de impostos que não traz nada de bom. Há um desnorte muito grande neste Governo", vincou José Matos Rosa.

E concretizou: "Esta análise do Presidente da República foi importante. O que vemos hoje é um Governo que não governa e tem uma procura insaciável sobre impostos".

“Discurso de Estado” com “capacidade mobilizadora”

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, também enalteceu o discurso do Presidente da República, destacando o sentido de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa e a "capacidade mobilizadora" das suas palavras.

"Foi um discurso de Estado, apropriado para a ocasião, a procurar dar um alento nacional", vincou Nuno Magalhães, falando aos jornalistas no final das cerimónias realizadas na Praça do Município, em Lisboa.

Marcelo, diz o centrista, lembrou a necessidade de haver "maior humildade democrática de quem está no poder, no Governo", e de ser fundamental a "proximidade entre eleitos e eleitores".

"Creio que foi um discurso de Estado, com capacidade mobilizadora. Foi um chamar de atenção, um alerta, que deve servir de motivação", prosseguiu o chefe da bancada do CDS-PP no Parlamento.

Questionado sobre o Orçamento do Estado para 2017, Magalhães diz ver com "interesse e preocupação" as negociações entre os partidos que viabilizam o Governo, acrescentando esperar que "se feche o Orçamento de uma vez cumprindo os compromissos europeus e já agora as promessas eleitorais".

“Espírito renovado” de confiança 

O líder parlamentar do PS destacou os discursos do Presidente da República e do presidente da Câmara de Lisboa nas cerimónias do 5 de Outubro, enaltecendo o "espírito renovado" de confiança com que se vive atualmente a República.

"Esta comemoração do dia da República é simultaneamente um dia de reunião de vontades e de congregação de esperanças. As mensagens aqui trazidas pelo Presidente da República e pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa são fundamentais para este espírito renovado com que vivemos a República nos dias de hoje, com esperança, confiança", sublinhou Carlos César, que falava à margem das cerimónias do 5 de Outubro.

Portugal, vincou o socialista, atravessa politicamente "um caminho de estabilidade" que "não deixará de ter continuidade" no Orçamento do Estado para 2017.

Reconhecendo "diferenças de intensidades sobre um ou outro aspeto" nas negociações com os partidos que apoiam o Governo, o líder da bancada socialista frisou contundo que "as questões essenciais" do texto não separam os partidos, antes os unem.

O reforço dos rendimentos dos portugueses e as condições para o investimento foram dois elementos destacados por Carlos César, que admitiu faltarem ainda "valores em concreto" nalgumas matérias para ser fechado o Orçamento.

Constituição como “melhor compromisso” para responder aos problemas

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, sustentou que a Constituição da República permanece o "melhor compromisso" para responder aos problemas dos cidadãos.

"A Constituição é o melhor compromisso e pacto para a resposta que é preciso dar a problemas económicos e sociais do país", vincou o comunista.

Do discurso do chefe de Estado, João Oliveira destacou que o "mais relevante" foi a "reflexão" tida por Marcelo Rebelo de Sousa sobre o "aprofundamento da democracia" em Portugal.

Sobre o Orçamento do Estado para 2017, o líder da bancada do PCP frisou que o "exame comum" entre comunistas e o Governo "prossegue", na expectativa de apresentar um texto que melhore a vida dos cidadãos.

“Simbolismo especial” de lembrar República novamente em dia feriado 

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, assinalou que "lembrar a República, o 5 de Outubro", novamente num dia feriado tem um "simbolismo especial".

"Lembrar a República, o 5 de Outubro, num dia que é novamente feriado, tem um simbolismo especial. Os valores lembrados pelo Presidente são os valores da República, a que devemos estar sempre atentos", vincou Pedro Filipe Soares.

O bloquista falava na Praça do Município, em Lisboa, onde decorreram as cerimónias oficiais do 5 de Outubro e comentava o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado pelos jornalistas sobre o Orçamento do Estado para 2017 e as negociações em curso, Pedro Filipe Soares lembrou que as reuniões entre os partidos que viabilizam o Governo e o PS "sucedem-se" e "estão claros os pontos pendentes".

"Não iremos negociar na praça pública", vincou, acrescentando esperar do Orçamento "mais um passo na retoma do rendimento das pessoas".

E acrescentou: "Há escolhas em cima da mesa, um desafio normal quando se faz um Orçamento".

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta quarta-feira que o exemplo dos que exercem o poder é fundamental para que o povo continue a acreditar na República, sublinhando que "o 5 de Outubro está vivo".

"O exemplo dos que exercem o poder é fundamental sempre para que o povo continue a acreditar no 5 de outubro", afirmou o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, numa intervenção nas comemorações da Implantação da República, que decorreram na Praça do Município, em Lisboa.

Sublinhando que "o 5 de outubro está vivo", mas só se todos lhe derem vida para que os portugueses se possam rever na República democrática, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a necessidade de quem exerce o poder de dar o exemplo de "constante humildade, de proximidade, de frugalidade, de independência, de serviço pelos outros, de todos os outros, mas com natural atenção aos mais pobres, carenciados, excluídos".