O secretário-geral do PS recusou os apelos ao seu partido para "compromissos, consensos ou conciliação" com o Governo, contrapondo que o voto é a arma do povo e que a escolha faz-se entre alternativas.

António Costa referiu-se indiretamente aos apelos ao consenso feitos pelo Presidente da República, começando por sustentar que ninguém melhor do que o seu partido "sabe que o diálogo é a componente essencial da democracia - diálogo entre os partidos políticos e as forças sociais".
 

"Mas as eleições são um momento de escolhas e, como há 40 anos se dizia, o voto é a arma do povo, porque o voto decide, permitindo fazer diferente ou o mesmo - e 40 anos depois o fundamental para que os cidadãos voltem a acreditar que vale a pena votar é que as eleições permitam escolher entre diferenças.”


Por isso, de acordo com António Costa, "que ninguém peça ao PS compromissos, consensos ou conciliação com a política que quer mudar".
 

“Pedimos ao povo o mandato de podermos mudar a atual política e virar a página da austeridade. É essa a mudança que é necessária e que queremos fazer.”


Já antes, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou que o discurso de Cavaco Silva nas comemorações do 25 de Abril foi "de um fraco testamento".
 

"É um discurso, de facto, de um fraco testamento, apenas um apelo a que se salve a política de direita.”


O secretário-geral do PCP sublinhou ainda que "a forma como [Cavaco Silva] considerou Portugal um dos países com mais coesão social é desprezar uma realidade existente, designadamente essa exploração, esse empobrecimento, esse infernizar a vida a tantos e tantos portugueses".
 

"É esquecer mais de um milhão de pobres, mais de um milhão de desempregados, é esquecer a violência que recaiu sobre os salários, sobre as pensões, sobre as reformas, apelando também, a um consenso, eu diria da troika interna - PS, PSD e CDS, para prosseguir no essencial a mesma política que levou o nosso país e o nosso povo a tão duras privações.”


A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse que o melhor do discurso de Cavaco Silva é "ser o último" enquanto Presidente da República.
 

"O melhor do discurso do Presidente da República é que é mesmo o último discurso de Cavaco Silva enquanto Presidente da República no 25 de Abril, o último discurso de um Presidente que nunca se sentiu confortável com o cravo da Revolução, e é também o último discurso de um Presidente da República que nos últimos anos tem vindo ao parlamento falar como se fosse o Governo quem está a falar.”


Catarina Martins referiu que ficou com dúvidas se "não seria Passos Coelho ou Paulo Portas quem estava a fazer a intervenção", dado que "todas as áreas em que o Governo mais tem falhado às pessoas foram as elogiadas por Cavaco Silva", nomeadamente a educação, a saúde e a justiça.

Por outro lado,  o vice-presidente do PSD José Matos Correia aplaudiu as referências do Presidente da República à necessidade de consensos, responsabilizando o PS por não terem sido possíveis compromissos em áreas estratégicas como a Segurança Social.
 

“É importante que o sentido futuro da intervenção do Presidente da República seja tido em conta sobretudo no que toca à questão dos consensos e dos compromissos. O país tem ainda problemas difíceis para resolver e se alguns continuarem a rejeitar essa necessidade será seguramente mais difícil para Portugal.”


Questionado se este não será apenas um discurso retórico, depois de PSD e PS já terem publicado rejeitado qualquer tipo de entendimentos, inclusive a nível de acordos eleitorais, o vice-presidente social-democrata defendeu que o seu partido mantém a disponibilidade para compromissos.
 

“O PSD tem sido consistente nos apelos à necessidade de consensos com o PS para a resolução de questões fundamentais para o futuro do país. Infelizmente, por razões puramente eleitorais, o PS tem recusado esses consensos até em áreas que são absolutamente estratégicas e mereceriam esses consensos, como é o caso da Segurança Social.” 


Também o porta-voz do CDS-PP, Filipe Lobo D'Ávila, considerou que o Presidente da República fez um "discurso bastante realista" do "esforço que o país fez nos últimos anos", salientando também o apelo ao entendimento das forças políticas.
 

"Não me parece que seja uma colagem com o discurso do Governo, bem pelo contrário, parece-me um discurso bastante realista com o esforço que o país fez nos últimos anos e sobretudo com os desafios que tem de enfrentar nos próximos anos.”


O deputado e porta-voz dos centristas disse que se tratou de "um reconhecimento da realidade do país e um apelo a que as forças políticas se possam entender para o futuro do país". Por outro lado, Lobo D'Ávila sublinhou a importância do apelo "a uma política de compromisso entre todos os partidos políticos, para que os partidos políticos se consigam concentrar naquilo que são as propostas para o país e não propriamente na política assente em insultos".