Sentença de Ricardo Rodrigues adiada para 26 de Junho

Deputado apropriou-se dos gravadores de dois jornalistas da «Sábado»

Por: tvi24 / MM    |   20 de Junho de 2012 às 14:18
O tribunal adiou, esta quarta-feira, para o dia 26 de Junho, a sentença do deputado socialista Ricardo Rodrigues acusado de atentado à liberdade de imprensa depois de se ter apropriado dos gravadores de dois jornalistas da revista «Sábado» durante uma entrevista.

Fonte do tribunal informou a agência Lusa do adiamento da leitura da decisão dos Juízos Criminais de Lisboa, mas não adiantou os motivos do mesmo.

O caso remonta a abril de 2010, quando, durante uma entrevista, no Parlamento, Ricardo Rodrigues se levantou e abandonou a sala onde se encontrava, levando consigo os gravadores dos jornalistas Fernando Esteves e Maria Henriques Espada, depois de estes o terem interrogado sobre o seu alegado envolvimento num escândalo de pedofilia nos Açores.

Nas alegações finais do julgamento, o Ministério Público entendeu que o deputado socialista cometeu o crime de que vinha acusado na forma tentada, pedindo uma pena de multa.

Ao ser ouvido em tribunal, Ricardo Rodrigues alegou que se apoderou dos gravadores, porque era «o único meio de prova eficaz» da tentativa dos jornalistas para «denegrir a sua imagem pública».

O deputado socialista, que é advogado de profissão, disse que se apoderou dos gravadores para ter uma «prova» sólida para apresentar ao juiz que viesse a decidir a providência cautelar, que intentou dias depois, sobre a publicação da entrevista, que, como disse, temia que viesse a ser «deturpada».

O arguido - que na altura pertencia à Comissão Eventual para o Combate à Corrupção - relatou que as insinuações começaram com perguntas sobre o facto de, há 13 anos, ter sido advogado de uma mulher acusada de crimes de burla e falsificação, prosseguindo com uma interpretação abusiva que um dos jornalistas fez sobre um comentário seu sobre o engenheiro João Cravinho (PS).

Admitiu, contudo, que o que mais o transtornou foi terem abordado o caso de pedofilia em São Miguel, Açores - o chamado «caso Farfalha», enfatizando que nunca teve nada a ver com o caso.

Em tribunal, a jornalista Maria Henriques Espada, na qualidade de assistente, alegou que todas as perguntas tinham relevância e interesse político, mesmo que juridicamente estivessem ultrapassadas.

Disse ainda que se cruzaram com Ricardo Rodrigues minutos depois no interior da AR e que o deputado respondeu que os gravadores iam ser entregues ao «fiel depositário». A entrevista foi ainda gravada em vídeo/áudio, o que permitiu a sua publicação e divulgação volvido pouco tempo.
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